12 agosto 2017

Das coisas que eu deixei para trás


Das coisas que eu deixei para trás, a velha meia arrastão que não diz mais nada sobre mim, os álbuns do Justin Bieber, os desenhos que nunca concluí, os recibos de compras passadas, a caixinha de lembranças de 2010, o tumblr, que hoje diz mais sobre fotos rasas que sobre textos profundos, a coleção de etiquetas de roupas, o apego por lembranças materiais.

Ficou para trás os sutiãs de enchimento, as lágrimas de baixa estima, as flores tóxicas do caminho onde andei, os saltos que não me fazem mais mulher do que eu já sou, os arquivos empoeirados, a pinça de depilar o buço, o excesso de "amigos" nas redes sociais, as revistas teen com 500 mil dicas para agradar meninos, o lixo mental, o acúmulo dos remédios e as receitas.

Se ficou para atrás até o cachorro mais amado, os ursinhos de pelúcia que hoje provocam espirros, a camisa da banda preferida, o batom vermelho perdido do ônibus, porque não deixar lá também as mágoas de desamor, os receios com o corpo, os bloqueios sentimentais e o tabu de ser livre?

Das coisas que eu deixei para trás, ficou apenas o trivial, o pó das estrelas, as bonecas na prateleira, os tênis de caminhada, as fotos de luas, a flor seca dentro do livro de cabeceira, o aroma do sabonete alma de flores dentro da gaveta de meias, as linhas do crochê que ainda ei de aprender, a playlist de vídeos de ASMR no youtube, os desenhos pregados com durex na parede e a infinidade de momentos onde eu não tirei foto, mas que nunca esquecerei das fotografias do fato.

Das coisas que eu deixei para trás, a mais pesada foi o auto julgamento, aquela coisa que me empurrava para baixo quando tudo que eu queria era voar. Sai sem olhar para trás quando deixei aquela insegurança no passado e segui plena, sozinha, cheia de graça e luz.

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