06 setembro 2017

Ciclos primaveris



Na dor me vejo florescer
Pulsante

Latente

Dor interior

Ciclos entre tons vibrantes e crus

De amor escarlate

Intensidade

Intencional
Sem querer
É época de muda
E dói florescer
Vivo, resisto

Sou raiz, sou ciclo
Sou flor, espinho
Ainda há primavera
Toda vez que doer ♀


12 agosto 2017

Das coisas que eu deixei para trás


Das coisas que eu deixei para trás, a velha meia arrastão que não diz mais nada sobre mim, os álbuns do Justin Bieber, os desenhos que nunca concluí, os recibos de compras passadas, a caixinha de lembranças de 2010, o tumblr, que hoje diz mais sobre fotos rasas que sobre textos profundos, a coleção de etiquetas de roupas, o apego por lembranças materiais.

Ficou para trás os sutiãs de enchimento, as lágrimas de baixa estima, as flores tóxicas do caminho onde andei, os saltos que não me fazem mais mulher do que eu já sou, os arquivos empoeirados, a pinça de depilar o buço, o excesso de "amigos" nas redes sociais, as revistas teen com 500 mil dicas para agradar meninos, o lixo mental, o acúmulo dos remédios e as receitas.

Se ficou para atrás até o cachorro mais amado, os ursinhos de pelúcia que hoje provocam espirros, a camisa da banda preferida, o batom vermelho perdido do ônibus, porque não deixar lá também as mágoas de desamor, os receios com o corpo, os bloqueios sentimentais e o tabu de ser livre?

Das coisas que eu deixei para trás, ficou apenas o trivial, o pó das estrelas, as bonecas na prateleira, os tênis de caminhada, as fotos de luas, a flor seca dentro do livro de cabeceira, o aroma do sabonete alma de flores dentro da gaveta de meias, as linhas do crochê que ainda ei de aprender, a playlist de vídeos de ASMR no youtube, os desenhos pregados com durex na parede e a infinidade de momentos onde eu não tirei foto, mas que nunca esquecerei das fotografias do fato.

Das coisas que eu deixei para trás, a mais pesada foi o auto julgamento, aquela coisa que me empurrava para baixo quando tudo que eu queria era voar. Sai sem olhar para trás quando deixei aquela insegurança no passado e segui plena, sozinha, cheia de graça e luz.

10 agosto 2017

Lunar

Lua em câncer
Loba pulsante
Satélite das flores
Corta o cabelo na minguante
Na cheia chora
Uiva, ri, comemora
8 e 80, ao infinito e além
É venusiana, é eclipse
Mas é estrela também
Mais um ciclo
Dor, sangue santo
Do espaço se ouve
Cantarolando, dançando
Batendo asas, borboleteando
É luna, lunática
Circular, circunflexa, aguda, invisível
Tudo e nada
Estonteante, imperceptível
Lunar, loba, floral
Mulher afinal