07 janeiro 2018

Zumbilândia: O mundo dos desinteressados e exaustos


A um tempo atrás, quando se falava muito em apocalipse zumbi, devido a uma série de tv, acreditava eu que os zumbis não existiam. A figura pós humana em decadência me distraia das reais características dos mortos-vivos. Eu que gosto de procurar significados das palavras e expressões, me deparei com esse:

Zumbi (português brasileiro) ou zombie (português europeu) é uma criatura cujo estereótipo se define, nos livros e na cultura popular, como um cadáver reanimado usualmente de hábitos noturnos,[1] que vive a perambular e a agir de forma estranha e instintiva; um morto-vivo;[2] um ser privado de vontade própria,[2] sem personalidade.


Quantos zumbis você conhece? Você é um zumbi?
Fiquei me perguntando se me tornei um zumbi, uma vez que há dias em que o desanimo toma conta.
Porém em minutos, vieram se arrastando, zumbis em estado sólido e esbarraram em mim. Todos com os olhos secos e sem interesse em nada. NADA. N-A-D-A. Nada nessa vida. Não bastasse, acomodados com isso e sem a mínima percepção do outro, da conexão, da troca.

Desinteressados e exaustos, porque muitos deles disseram já terem tentado mover-se num raio de 7 milhas e caíram, as expectativas já não existem. Uns continuam com os hábitos normais de seres humanos, vivendo assim apenas para pagar boletos e dormir. Outros já entregaram suas vidas nas mãos dos que um dia foram seus responsáveis, mais que agora abraçam a causa pelo amor umbilical. Dói né?

Sentem muito, mas o corpo já não responde. Preferem deixar passar. Deixam tudo passar. Talvez por terem ouvido muito esse conselho no fim de cada dor e terem absorvido tanto, que agora a única coisa que os fazem abrir os olhos seja o passar do tempo. Puxa vida!

O protagonismo pessoal precisa de mãos firmes que puxam rédeas, mesmo quando tudo foge do controle. Aliás, a vida é selvagem e não aceita ser domesticada. Nem sempre o que tiver de ser será. Ainda assim é preciso estar na cadeira de chef, firme e forte, porque quando você para, só você permanece no ponto de espera.

Enquanto você permanece na Zumbilândia, o Universo não para. Ele continua a revelar e ser revelado. A natureza segue em seus ciclos, que nem um apocalipse é capaz de parar por completo.
Tu é teu lugar no mundo. Tomar conta da minha vida? Beleza, mas toma conta da tua também, por favor.

02 janeiro 2018

Retrospectiva da Gratidão 2017 + 4 anos de blog

Olá, estrelas! 2017 foi um ano de muito auto descobrimento, que me permitiu rever muitas coisas, me libertar do que pesava e seguir com o leve. Foi um ano em que me dediquei a natureza e aos astros celestes, de modo que conhecê-los melhor me ajudou a desvendar meus próprios segredos, escondidos em mim. Muita coisa desandou, foi difícil, porém tudo deu certo no final e pude respirar fundo para continuar e recomeçar um novo tempo. Nesse dia 2 esse espaço completa mais um ano. São 4 anos e só tenho a agradecer por minha vida ter se tornado mais poética e resiliente. Obrigada a quem esteve comigo! Bem, listei algumas passagens do meu ano, que não quero esquecer e que foram muito boas. Beijão e FELIZ 2018! Que esse ano seja para nós de muita serenidade e fortaleza.  Um ano muito estrelado e florido para todos!


🌼 Troquei cartas com amizades especiais
🌼 Costurei muito mais
🌼 Aprendi muitas técnicas de modelagem
🌼 Ganhei uma gatinha, a Amélie
🌼 Assisti filmes que queria muito ver
🌼 Passei metade do ano assistindo Glee (Nostalgia boa)
🌼 Destaque para as séries: Anne With An E e Stranger Things, que me salvaram do tédio
🌼 Conheci muitas bandas/músicas novas e incríveis
🌼 Desvirtualizei uma amizade
🌼 Minhas unhas cresceram e recresceram
🌼 Recebi um diagnóstico de cura de uma doença
🌼 Plantei e cultivei plantas (Aprendi muito com elas)
🌼 A Super Lua de Agosto
🌼 As Estrelas Cadentes de Dezembro
🌼 As vezes que fui em Fortaleza
🌼 Ter ido a praia duas vezes
🌼 Cozinhei melhor
🌼 Passei mais tempo no quintal
🌼 No final tudo ter dado certo


01 dezembro 2017

Estou conhecendo alguém incrível

Imagem do Pinterest
Outro dia me peguei enfeitando-me toda, sem motivo especial. Era fim de tarde, após o banho do fim de um dia exaustivo e meus olhos brilhavam como faísca de uma fogueira em São João.

Me sentia flor, sorri para o espelho, suspirei. Queria estar linda e estava realmente. Sem batom ou lingerie nova, estava eu com um dos meus trajes de casa: camiseta de malha e uma saia de tecido muito leve, porém esbanjava um tipo de beleza da qual não se pode ver com os olhos.

O motivo de tal entusiasmo era o vislumbre por alguém que eu estava conhecendo melhor um dia no trem, no caminho para a capital. Enquanto mirava a paisagem ao redor da estrada de ferro, esse alguém estava comigo o tempo inteiro, respirava leve e tinha o olhar voltado para dentro. Dentro da minha alma.

Abri minha bolsa, esse alguém apareceu em imagem dentro dela, o mesmo olhar que vê o que ninguém mais ali via. Segurando as pontas, acolhendo-me por inteira, esse alguém me cobria de gratidão por estar ali e por ter suportado todo o caminho de rochas e flores por onde havia passado. 

As flores pareciam desmanchar na minha mão, de tanto amor que senti por esse alguém. Antes eu não notava, achava que precisava apenas existir, mas agora esse amor me faz seguir mais forte, me perdoar e me refazer.

Peguei a imagem da bolsa. Estampava uma carteira de identidade. Antes eu não gostava de como o cabelo saiu na foto e como o meio sorriso parecia estranho, mas hoje não reparo. O amor torna tudo mais bonito e leve. E não era uma identidade qualquer. Pertence ao meu alguém.

É minha identidade e esse alguém sou eu. Descobri no trem o real valor da palavra solitude, quando antes de sair eu achava ser solidão. Não sentia falta de mais nada quando me concentrei em me ouvir por dentro. 

Me abracei em um cumprimento espiritual, enquanto fechava os olhos afetados pelo afeto do abraço do Sol, que também fez questão de participar desse momento de júbilo pessoal. Sorri quando vi pela janela que chagara ao meu destino. E ele seria fabuloso.

21 novembro 2017

Arremates, descosturas e remendos

Na costura, retroceder significa enraizar, mas só é reforçado com linha o ponto que deve ficar. Será que na vida, vale a pena retroceder algo que seria melhor desmanchar?


Entre pontos saltados e calor, está uma frenética eu querendo terminar um vestido com tecido que a máquina não reconhece, e por sua vez se faz de mal entendida e costura tudo na doida, sem galantear.

Também está na minha mão direita um descosturador (ou abre casas, aquele que tem um ganchinho e bolinha em uma das pontas), pronto para desmanchar mais uma reta de pontos desajeitados. Com um pouco de dificuldade no começo, vou puxando a linha que corre reta.

Meu erro foi dar um arremate no tecido quando começou o estrondo da máquina, quando eu sabia desde o começo que a costura não ia sair lá grande coisa. Dei retrocesso, um bem selvagem, apostando todas as minhas fichas.

Lembrei de algumas falhas tentativas de aproximação com pessoas difíceis que eu tive. Sabia que era só para tentar, dar um alinhavo, mas eu arrematava, retrocedia e retrocedia, intensamente.

Nem sempre era eu a costureira. Às vezes eu era só o tecido, sendo ali cosicado com linha forte. Tecido fino que desfia, hein! Sempre deixava escapar. O arremate desmanchado tem uma amartia: Depois de puxar as linhas, o tecido fica fragilizado e com pequenos buraquinhos. Se for fino e desfiante, pior. Pode até rasgar. E rasgou. Costurices da vida.

Entretanto sou costureira dos meus próprios sonhos. Peguei esse frágil pano e prometo remendar aos pouquinhos durante meu tempo livre. Vai ficar okay outra vez, sabe. Pregarei até florzinhas feitas de fitas coloridas. Das infinitas cores da minha resiliência.


24 outubro 2017

Tempo de muda


Sabe como é se sentir como uma planta sem folhas? Era como eu me senti esses dias.
Observei no jardim uma plantinha que um dia fora uma roseira vívida e cheia de cores, que agora segue lutando sem as folhas.
Lembrei das minhas amigas que um dia estiveram doentes e se sentiram fisicamente e emocionalmente como essa plantinha. A minha identificação era só por dentro. E era bem rente a história da planta: Toda semana noto que surgem folhinhas e logo no outro dia caem, somem, ela volta a ser só caule.
Assim eu segui, desiludida, ainda viva, porém com os sonhos corrompidos. 
Todo dia eu peço a Deus para que devolva a alegria dessa planta. Essa semana, ela já tem folhas novamente, assim como eu. E eu aperto os olhos de fé para que elas não caiam, para que seus sonhos se renovem. É tempo de muda. São tempos difíceis...
E sabe o que eu notei também sobre a plantinha? É que quando as folhas caem, é que ela tem que ser mais forte e resiliente. Porque? Incansavelmente ela luta na ausência de suas folhas, continua ali, de pé, diante da perda e dos desafios do vento e do sol. E é nela que eu devo me espelhar, porque eu quero ser forte como as plantas no tempo de muda. E eu quero que tu seja também, porque tu vai inspirar alguém como a plantinha me inspira.